Detalhe
270 anos do Terramoto de 1755

Esta obra notável, que integra o acervo documental do Gabinete de Estudos Olisiponenses, é considerada o primeiro catálogo sísmico em língua portuguesa. Nela, o autor reflete sobre a origem dos sismos e regista os principais abalos sentidos em Portugal, incluindo o devastador terramoto de 1 de novembro de 1755, do qual foi testemunha ocular.
A descrição feita por Moreira de Mendonça, do qual reproduzimos um excerto, é um testemunho impressionante daquele desastre natural:
“Sábado, primeiro de novembro, e vigésimo oitavo da Lua, amanheceu o dia sereno, o Sol claro, e o Ceo sem nuvem alguma. Durava já esta serenidade por muitos dias do mês de outubro, sentindo-se maior calor, que a estação do Outono prometia. Pouco depois das nove horas e meia da manhã […] correndo um pequeno vento nordeste, começou a terra a abalar com pulsação do centro para a superfície, e aumentado o impulso, continuou a tremer formando um balanço para os lados de Norte e Sul, com estrago de edifícios, que ao segundo minuto de duração começaram a cair. […] a poeira, que causou a ruína dos edifícios cobriu o ambiente da Cidade com uma cerração tão forte, que parecia querer sufocar todos os viventes.
A estes impulsos da terra se retirou o mar, deixando nas suas margens ver o fundo às suas águas nunca de antes visto, e encapelando-se estas em altíssimos montes, se arrojaram pouco depois sobre todas as povoações marítimas com tanto ímpeto, que parecia quererem submergi-las […]. Três irrupções maiores, além de outras menores, fez o mar contra a terra, destruindo muitos edifícios, e levando muitas pessoas envoltas nas suas águas.
"Que cena lamentável me recorda a memória!” [pp. 113-114]
Delminda Rijo

