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Estudos Olisiponenses

Casa dos Bicos

"[...]A Casa dos Bicos, ou Casa dos Diamantes, revestida nos seus dois únicos andares sobreviventes – loja e primeiro pavimento – de pedras talhadas em quatro faces, foi construída, crê-se que cerca de 1523, por Brás de Albuquerque, […]". Norberto de Araújo, in Peregrinações em Lisboa, Livro X, 1939.

"A Casa dos Bicos tem precisamente os números 48 e 58. Observa, Dileto [Norberto trata o leitor como “dileto”, um estimado companheiro que o acompanha nos vários percursos pela cidade], estas três fórmulas de construção urbana, encostadas como em exposição: a casa popular, sem cair no humilde, logo a casa solarenga, dos Bicos, hoje abatida na sua imponência, e a casa burguesa, sólida, e de bom gosto lisboeta.

A Casa dos Bicos, ou Casa dos Diamantes, revestida nos seus dois únicos andares sobreviventes – loja e primeiro pavimento – de pedras talhadas em quatro faces, foi construída, crê-se que cerca de 1523, por Brás de Albuquerque, […] Teve, além da loja e sobreloja, mais dois andares que caíram pelo Terramoto; estes restos, que se veêm com veneração, correspondem às traseiras do palácio primitivo […]

Presentemente [década de 1930] pertence este monumento a uma senhora que vive em Inglaterra. Dasy Maria da Silva; a Casa anda, desde há muito, arrendada na parte da frente – o grosso da edificação – à firma bacalhoeira, Manuel Caetano Alves, Limitada. As traseiras, alugadas a J. Gomes Monteiro, não são mais que um barracão coberto por telha vã.

A Câmara Municipal tem pensado adquiri-la (em 1933, por exemplo), a-fim-de ali instalar um pequeno Museu, e julgamos que desse propósito não desistiu ainda.

Vê tu, Dileto, o destino do magnífico palácio do filho de Afonso de Albuquerque! Como notarás, as cinco janelas do primeiro andar, e duas das seis portas da loja, têm jeito quinhentista, e uma indiscutível expressão arqueológica olisiponense” – Peregrinações em Lisboa, Livro X, 1939, pp. 20-21

Imagem: Roque Gameiro, Casa dos Bicos, in Lisboa Velha (estampa 60)

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