Detalhe
Igreja de Santa Luzia

“Esta Igreja, ou ermida, assenta, como vês, sobre uma parte da muralha da cerca moura. Não se conhece, ao certo, a sua idade, admitindo-se que tivesse sido – a primitiva – do tempo de Afonso Henriques. Pertenceu à Ordem de Malta, no século de D. Dinis, e deve ter sido reedificada em várias épocas. Está encerrada ao culto há uma vintena de anos, e não possui recheio algum; as imagens dos santos oragos passaram para S. Tiago. Foi até há poucos anos um depósito de materiais da Câmara, e presentemente, talvez por pouco tempo, encerra parte do Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, ultimamente organizado.
Espreita que é o mais que nos é consentido. Como vês, a desguarnição é absoluta. Podes notar a cobertura em abóbada semi-circular, e a cúpula semi-esférica no cruzamento das abóbadas. Tem várias sepulturas, todas classificadas “monumentos nacionais”, entre as quais as de Fernando e de Gil Afonso, filhos de D. Afonso III, e a de Frei Lourenço Gil, filho de Gil Afonso. Um túmulo de mármore de D. João de Sousa, Prior do Crato (século XVII) conserva-se ainda na capela-mor.” – Peregrinações em Lisboa, Livro II, 1938, pp. 70-71.


