Detalhe
Largo da Saúde e rua da Mouraria

“Eis-nos, agora, diante da Igreja de N. Senhora da Saúde, a da famosa procissão que constituía um dos encantos populares religiosos de Lisboa do século passado, e que perdurou até à República. Neste sítio se elevava no século XVI, logo no começo (1506), uma ermida da invocação de S. Sebastião, advogada contra as pestes, construção que foi da iniciativa dos artilheiros da guarnição de Lisboa. Em 1596, por deliberação do Arcebispo D. Miguel de Castro, a igrejinha converteu-se em paroquial de S. Sebastião (da Mouraria), desanexada da de Santa Justa, e assim o bairro tomou independência como freguesia. […] Só em 1662 a Igreja de S. Sebastião passou a chamar-se de N. S. da Saúde, quando a imagem foi transferida do Colégio de Jesus, de que te falei, aqui a dois passos, para a atual «residência». E de Nossa Senhora da Saúde passou a ser até hoje. S. Sebastião esqueceu. Pelo terramoto o templo recebeu dano, mas pouco, porque logo dois anos depois estava restaurado e aberto ao público.
A Ermida – melhor é classificá-la assim – constitui um dos restos piedosos de Lisboa Velha, embora os artilheiros hoje já se não preocupem com a devoção. Oferece uma certa ingenuidade; lembra uma capela de aldeia, pois não lembra?” – Peregrinações em Lisboa, Livro III, 1938, p. 76.


