Detalhe
Princípio da Rua do Capelão

“Este Capelão está longe de oferecer também um pitoresco bonito; terá pitoresco, e eu não lho nego, mas é triste. Repetem-se as casinhas, que em tempo foram cor de rosa, e algumas com vestígios da graça que as vestiu no fim do século XVIII. Mas mesmo assim isto é de ver-se.
Ora estamos no fim do Capelão. E aí temos, à entrada – que para o nosso caso é saída -, a maior expressão típica urbana do sítio: esses dois prédios pegados, n.º 6-8 do Capelão, já a voltar para a Rua da Mouraria, com andares de ressalto e um conjunto curiosíssimo. Nos baixos existe uma locanda, hoje «arranjada», e que teve tradições no bairro, não muito lisonjeiras, quero crer.
A Mouraria de hoje, afinal, a das guitarras, das facadas, das rameiras, dos pianos de botequim – já não existe: adivinha-se. E a Mouraria paisagista, campesina, «das hortas» foi-se embora há muito mais tempo.” – Peregrinações em Lisboa, Livro III, 1938, pp. 69 e 71.


